Colhendo resultados: boas ações, bons negócios
6/3/2006
Exemplos para sua empresa na iniciativa de inclusão digital
Miami — Atender a mercados com alto índice de crescimento é considerado hoje a última palavra em situação de ganho mútuo. Livros de grande sucesso, como "The Fortune at the Bottom of the Pyramid" (A fortuna na base da pirâmide) de C. K. Prahalad e "Capitalism at the Crossroads" (Capitalismo na encruzilhada) de Stuart L. Harts, mostram claramente que praticar boas ações no mundo também pode ser um bom negócio para empresas de praticamente todos os setores.
Como é do conhecimento dos leitores deste boletim, essa idéia de "alcançar o sucesso praticando boas ações" também representa a essência da iniciativa 50x15 da AMD. Quando lançou a iniciativa 50x15 na Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial em Davos em janeiro de 2004, o presidente e CEO da AMD, Hector Ruiz, explicou que a iniciativa "foi elaborada com base em incentivos e estratégias que são, não só de boas intenções, mas também de bons negócios".
Por meio do trabalho da AMD e de nossos parceiros, organizações sem fins lucrativos e órgãos governamentais do mundo todo, o conceito está começando a se concretizar. As pessoas estão começando a considerar as iniciativas de inclusão digital uma forma de gerar receita.
No entanto, ainda há muito a ser feito. Um grande número de pessoas no mundo todo ainda considera a inclusão digital uma importante atividade movida por boas intenções, e não uma oportunidade de negócios. Foi nesse contexto que o Dr. Allen Hammond, vice-presidente de inovação e projetos especiais do World Resources Institute, um instituto de pesquisa sem fins lucrativos localizado em Washington, D.C., fez sua explanação na primeira Global Vision Conference da AMD.
A conferência de dois dias foi o primeiro evento do tipo, no qual visionários da tecnologia e líderes empresariais experientes do mundo todo se reuniram para discutir o papel da tecnologia na sociedade moderna e de que forma as tendências tecnológicas devem evoluir na próxima década. O segundo dia se concentrou basicamente na análise das oportunidades para empresas de tecnologia em mercados com alto índice de crescimento. As apresentações dos palestrantes estão disponíveis para download aqui.
O objetivo de Hammond era apenas demonstrar como são lucrativas as oportunidades em mercados emergentes. O tema central de sua apresentação consistiu em demonstrar, por meio de exemplos, que, ao contrário do que a maioria dos ocidentais imagina, a população pobre do mundo é estatisticamente mais propensa a investir em conectividade à Internet e tecnologia de TI do que a classe média.
"Para eles, isso substitui as viagens", comenta Hammond. "Quando comparado ao custo de viagens", acrescenta, "as pessoas que ocupam a base da pirâmide podem obter 90% de economia fazendo ligações telefônicas… e, por isso, estão dispostas a aplicar uma parcela maior de sua renda para investir em conectividade, quando comparadas com as pessoas da classe média dos Estados Unidos ou da Europa".
"Segundo os dados do Banco Mundial", explica Hammond, "a oportunidade de mercado é considerável". "As famílias da base da pirâmide nos 20 principais países emergentes têm um ganho total combinado de US$ 2 bilhões por ano… Elas têm grande capacidade empreendedora e, em geral, estão dispostas a investir cerca de 5% de sua renda, ou US$ 100 bilhões no total, em soluções e serviços de conectividade que funcionem".
Hammond apresentou seis estudos de caso que ofereceram prova incontestável para suas conclusões:
1. No Brasil
As estatísticas oficiais superestimam a pobreza, principalmente devido à economia informal que evoluiu com o passar dos anos e que hoje representa praticamente metade da economia em geral. "Setenta por cento dos moradores das favelas têm casa própria", comenta. "Na verdade, as famílias de baixa renda brasileiras têm poder aquisitivo muito superior ao que o Banco Mundial imagina".
A prestação de serviços no Brasil é bem maior que a relatada oficialmente, pois boa parte do trabalho e da atividade ocorre fora das fronteiras da economia oficial do país. A oportunidade para alcançar o sucesso praticando boas ações é, portanto, considerável. "O próximo passo consiste em estabelecer a ligação entre a economia informal e a economia formal no Brasil, e isso exige TI".
2. SMART Communications nas Filipinas
A SMART Communications nas Filipinas oferece aos cidadãos de baixa renda serviços de mensagem de texto pré-pagos. Com quase 21 milhões de assinantes na rede, Hammond observa que a resposta tem sido muito favorável — tanto que Hammond chega a comentar que a empresa é hoje a maior compradora de servidores da Ásia "porque estão processando um volume enorme de dados".
Os serviços da SMART Communications são comercializados eletronicamente em 500 lojas locais. O mais interessante, segundo Hammond, é o fato de que as "unidades de mensagem" se tornaram uma espécie de moeda para as pessoas de baixa renda. Basicamente, as pessoas podem fazer download de unidades de mensagem e negociá-las ou transferi-las como parte do que se tornou um sistema de permuta lucrativo. "As pessoas estão usando (as unidades de mensagem) para pagar despesas como corridas de táxi", observa Hammond.
3. E-Choupal na Índia
A iniciativa E-Choupal da ITC está transformando totalmente a vida dos pequenos agricultores nas áreas rurais da Índia. Segundo o site da E-Choupal, o objetivo da ITC é "conferir o poder do conhecimento especializado até mesmo ao mais humilde agricultor. E, com isso, aumentar sua competitividade no mercado global".
Hammond explica esse objetivo em termos práticos: "Antes, os intermediários ficavam com todo o lucro desses agricultores, e era esse o principal motivo de sua pobreza". A iniciativa E-Choupal instala PCs nas casas dos agricultores e, com isso, abre um mundo de oportunidades até então inacessíveis. "O acesso à Internet permite que os agricultores conversem uns com os outros, tenham acesso ao CME (Chicago Mercantile Exchange)… e estabeleçam sua própria rede de TI em toda a Índia. Dessa forma, esses agricultores podem comercializar grãos pelo preço de fechamento do dia anterior diretamente com os clientes, eliminando, assim, os intermediários e mantendo seus lucros".
As estatísticas atuais são animadoras. Segundo o site da ITC, desde o lançamento da iniciativa no ano 2000, há mais de 5.300 instalações da E-Choupal em todo o país, atendendo a 31.000 vilarejos e capacitando mais de 3,5 milhões de agricultores. O mais incrível é que o planejamento da ITC para os próximos dez anos prevê o estabelecimento de 20.000 instalações para atender a mais de 100.000 vilarejos, ou a um total de mais de 10 milhões de agricultores.
4. WIZZIT na África do Sul
Onde pessoas com pouquíssimo dinheiro, praticamente nenhum acesso à tecnologia e escolaridade mínima utilizam serviços bancários? E o que é mais importante, por que elas precisam desses serviços?
A WIZZIT tem as respostas. A WIZZIT é uma empresa nova da África do Sul que presta um conjunto completo de serviços bancários por celular a pessoas que não têm contas bancárias. O modelo comercial tem alcançado tanto sucesso em termos de geração de lucros, comenta Hammond, "que uma grande empresa de telefonia celular lançou um sistema semelhante praticamente pelo mesmo preço".
Os serviços da WIZZIT oferecem acesso a todas as principais vantagens que as pessoas do mundo ocidental obtêm ao manter seu dinheiro em um banco. Isso inclui o recebimento de juros, o uso de cartões de débito e a possibilidade de formar um histórico de crédito, tudo o que é essencial para que elas possam entrar no mercado global e levar uma vida mais produtiva e realizadora.
5. A América Latina e os programas PIC e laboratórios de treinamento da AMD
Hammond encerrou sua apresentação observando que a iniciativa 50x15 da AMD também é um modelo importante e cada vez mais respeitado, que oferece lições valiosas para outras empresas do ocidente. "O PIC (Personal Internet Communicator) é um dos primeiros produtos desenvolvidos para esses mercados (de base da pirâmide), onde há escassez de suporte e infra-estrutura", e o sucesso do programa fala por si mesmo.
Hammond comentou que, pela primeira vez, a população pobre de todo o Brasil está sentindo que tem uma participação na economia do país e consegue perceber oportunidades que por muito tempo estiverem fora do seu alcance.
"A população pobre do Brasil protegeu seus bancos locais durante os tumultos ocorridos no verão", afirma Hammond. Os tumultos começaram com a passeata de manifestantes revoltados com a venda da empresa nacional de telefonia do Brasil, a Telebrás, para um grupo privado formado pela MCI dos Estados Unidos, a Telefonica da Espanha e a Telecom de Portugal, que resultaria na interrupção dos serviços para a população pobre do país.
Na realidade, aqui na AMD, o impacto das nossas iniciativas está sendo sentido de forma intensa. Recentemente, a AMD recebeu um e-mail do diretor de uma organização sem fins lucrativos da Guatemala solicitando a implantação do PIC (Personal Internet Communicator) em escolas de todo o país. "Será realmente de grande auxílio, pois somente uma minoria da população tem acesso a computadores e à Internet no nosso país", ele afirmou.
Esse e-mail é o mais recente de uma série aparentemente interminável de solicitações semelhantes feitas por pessoas e organizações do mundo todo. Mais de 1.000 solicitações do dispositivo de acesso à Internet de baixo custo e fácil utilização chegaram da Ásia, África, América do Sul, Europa, Oriente Médio, Leste Europeu, Austrália, Nova Zelândia, Rússia e até mesmo dos Estados Unidos desde o lançamento do dispositivo um ano atrás, em 28 de outubro de 2004. Os solicitantes formam um grupo tão diverso quanto os países que representam: desde prováveis parceiros de negócios que desejam estabelecer acordos para comercialização do PIC em seus países até organizações sem fins lucrativos, professores e alunos, cidadãos, pais, crianças e representantes do governo. Todos entraram em contato com a AMD porque acreditam que o PIC os ajudará a suprir uma necessidade essencial de comunicação em seus países.
Em menos de um ano, o PIC alcançou uma visibilidade global que pouquíssimos produtos já alcançaram. Hoje, está sendo usado por estudantes do México, em quiosques de acesso gratuito à Internet patrocinados pelo governo em todo o Brasil, por famílias e estudantes do Caribe e da Índia, estudantes universitários e pesquisadores da Rússia, estudantes de primeiro grau da África do Sul e, mais recentemente, por crianças e famílias dos Estados Unidos, e vítimas do furacão Katrina (leia o artigo). Existem planos para levar o PIC à China, Turquia e outros países.
Os relatos de como o PIC mudou a vida das pessoas que o utilizam são comoventes. Em um caso em particular, os produtores da CNN ficaram tão emocionados com a história que produziram uma matéria de 10 minutos, que foi transmitida em todo o mundo em setembro, sobre um estudante sul-africano que estava prestes a abandonar a escola quando o PIC mudou sua vida. 18. Clique aqui para obter o artigo e o vídeo.