Carolyn Purcell
12/5/2008
Diretora, IBSG
Cisco
Como Diretora da IBSG Cisco, Carolyn Purcell viaja freqüentemente, especialmente para os países nórdicos (Suécia, Finlândia, Noruega), Países Baixos, França, Portugal, Espanha e Reino Unido. Carolyn roubou tempo de sua agenda para nos falar sobre a inclusão digital.
Nas suas viagens pelo mundo, o que você notou em relação à inclusão digital?
A inclusão digital é incrivelmente importante nos países nórdicos e nos Países Baixos. E não se trata de qualquer inclusão digital, mas a banda larga. Vários desses países possuem programas Ftth (Fiber to the Home, Fibra para Domicílios) inovadores em diferentes estágios de desenvolvimento - e isso mostra o nível em que eles estão nos estudos da implantação da banda larga.
Que iniciativas culturais, políticas e de negócios precisam ser levadas em consideração quando se inicia um programa de inclusão digital em uma região?
Do ponto de vista cultural, acho necessário demonstrar a relevância e a utilidade da Internet para as pessoas que não têm computador em casa. Depois, é importante tornar o equipamento disponível a um custo baixo (por exemplo, OLPCs e thin clients) e oferecer treinamento. Muitas vezes as crianças podem treinar os adultos. A relutância dos idosos em usar o equipamento pode ser uma oportunidade para substituir o computador por uma caixa preta que transforma a televisão em um videofone de duas vias para inclusão social. Isso é feito principalmente nos Países Baixos.
Do ponto de vista político, não é difícil perceber que os países com maior crescimento na escala de implantação de banda larga são os que tiveram maior intervenção governamental - tanto por meio de construção de suas próprias redes, como por meio de subsídio a empresas de telecomunicações. A falta de uma política nacional nos Estados Unidos não teve bons reflexos e deixou os 50 estados e inúmeras cidades sozinhas no combate, que muitas vezes acabou com a derrota de alguns municípios frente à força das operadoras de telecom.
Finalmente, modelos de negócios interessantes vêm surgindo no mundo inteiro. Fora dos EUA, outros países estão fornecendo uma infra-estrutura aberta e serviços independentes, que estão jorrando inovação em tecnologia e modelos de negócios.
Que organizações não lucrativas internacionais vêm incentivando mais a inclusão digital?
Tenho experiência com a “One Economy”– eles atuam nacionalmente (especialmente em áreas urbanas) e em países emergentes, e também se envolveram na reconstrução da área do golfo devastada pelo Furacão Katrina. A meta do projeto é criar demanda por meio da oferta de conteúdo relevante para a população. Eles também facilitam a agregação da demanda e a implantação de novos modelos de negócios.
Onde você encontrou as filas mais longas para acessar um terminal de computador?
Em Luca, na Toscana, Itália! Como turista, precisei esperar vagar um dos três terminais do centro de informática. Os outros centros de turistas da Itália não eram muito melhores - nem mais baratos!
Algum lugar a surpreendeu por oferecer acesso à Internet? E você ficou surpresa por não poder acessar a Internet em algum lugar?
Pode parecer estranho, mas fiquei surpresa em conhecer a Supernet em Alberta, no Canadá. Uma empresa privada oferece banda larga (com e sem fio, conforme o caso) a todas as cidades dessa província rural. O estado serve como âncora para a solução.
Fiquei surpresa por não ter acesso ao me hospedar em hotel de uma cadeia muito famosa aqui nos Estados Unidos, exatamente em frente ao Capitólio!
Você se viu alguma vez em uma situação em que, se alguém tivesse um computador, as coisas teriam sido diferentes?
Muitas vezes, muitas mesmo - desde meu tio idoso, que passava muito tempo sozinho, até pessoas lutando para entender uma doença e cuidar de um ente querido, ou um imigrante que quer fazer a coisa certa, mas não sabe como... Toda a eficiência e a conectividade maravilhosa que recebemos do computador deveriam pertencer a todos.
O que mais a surpreendeu em relação à inclusão digital?
O quanto ela pode mudar uma vida e como é cada vez mais importante que as crianças tenham acesso a esses recursos. A “Geração do Milênio” está sempre na vanguarda e definirá o cenário para a próxima onda. Os que não estiverem on-line ficarão de fora.
Qual é a sua opinião em relação à inclusão digital via computador e via dispositivos móveis?
No Japão as vendas de computadores já estão caindo - há muitos dispositivos disponíveis para o que precisamos, e eles estão cada vez melhores. Com o advento da chamada “computação nas nuvens”, muitas pessoas podem optar por deixar a nuvem fazer a computação - elas só precisam do “thin client”, que finalmente está recebendo a atenção que merece.
Qual é a sua opinião sobre os objetivos da Iniciativa 50x15 da AMD?
Acho que é um esforço muito nobre, mas 2015 já está aí na esquina. Espero que a AMD e seus parceiros de tecnologia tenham sucesso - e isso é mais importante agora do que nunca - e projeções para o futuro!
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